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domingo, 14 de março de 2010

CHÁ VERDE



O chá é proveniente das folhas da Camellia sinensis.

Atualmente, cerca de 3 mil produtos levam o nome de chá mas, na verdade, podem ser considerados chás mesmo, somente aqueles que tenham em sua composição a planta Camellia sinensis.


Conta uma lenda chinesa que no ano 2737 a.C., o imperador Shen Nung descansava sob uma árvore quando algumas folhas caíram em uma vasilha de água que seus servos ferviam para beber. Atraído pelo aroma, Shen Nung provou o líquido e adorou. Nascia aí, o chá.

É bem provável que essa história nem seja verdadeira, mas dá um ar romântico à origem de uma bebida conhecida mundialmente. Esta lenda é divulgada como a primeira referência à infusão das folhas de chá verde, provenientes da planta Camellia sinensis, originária da China e da Índia. Na verdade, o primeiro registro escrito sobre o uso do chá data do século III a.C. O tratado de Lu Yu, conhecido como o primeiro tratado sobre chá com caráter técnico, escrito no séc. VIII, durante a dinastia Tang, definiu o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo.

No inicio do séc. IX, a cultura do chá foi introduzida no Japão por monges budistas que levaram da China algumas sementes. A cultura teve êxito e desenvolveu-se rapidamente. O chá experimentou nestes dois países - China e Japão - uma evolução extraordinária, abrangendo não só meio técnico e econômico, mas também os meios artísticos, poéticos, filosóficos e até religiosos. No Japão, por exemplo, o chá é protagonista de um cerimonial complexo e de grande significado.

A chegada do chá à Europa não foi rápida. As referências mais antigas que se encontram na literatura européia a respeito do chá são atribuídas a Marco Pólo, no relato da sua viagem, e ao português Gaspar da Cruz, que teria citado o chá numa carta dirigida ao seu soberano. Já a sua introdução no continente europeu ocorreu no início do séc. XVII, em função do comércio que então se estabelecia entre a Europa e o Oriente. Ao que parece, foram os holandeses que levaram pela primeira vez o chá à Europa, intensificando o seu comércio, mais tarde desenvolvido pelos ingleses.

Na Inglaterra, o seu consumo difundiu-se rapidamente, tornando-se uma bebida muito popular. Essa popularidade estendeu-se aos países com forte influência inglesa, primeiramente nos Estados Unidos, depois na Austrália e Canadá. Hoje, o chá é a bebida mais consumida em todo o mundo.

O que é o chá

Como foi dito acima, o chá é proveniente das folhas da Camellia sinensis. Atualmente, cerca de 3 mil produtos levam o nome de chá mas, na verdade, podem ser considerados chás mesmo, somente aqueles que tenham em sua composição a planta Camellia sinensis. Ou seja, aqueles que nós chamamos de chá de hortelã, erva-cidreira e outros são, para sermos mais corretos, tisanas ou infusões.

A partir das folhas da Camellia sinensis é possível obter diferentes tipos de chá e, dependendo do tipo de tratamento a que são sujeitas, dividi-los nas seguintes categorias:

Verde - As folhas vão para a secagem após a colheita. Seu sabor é um tanto amargo. As folhas são apenas passadas pelo calor, imediatamente após colheita, evitando, assim, a fermentação. O chá Gyokuro (gotas de orvalho), do Japão, é considerado um dos melhores - suas folhas são cobertas com tela antes da colheita e, assim, preservam a clorofila e perdem tanino, ficando adocicadas.

Preto - As folhas sofrem um processo de fermentação que confere ao líquido um tom avermelhado escuro e um sabor intenso. As folhas são colocadas em tanques fechados até fermentarem. Depois elas são aquecidas e desidratadas.

Oolong - Sofre um processo de fermentação muito curto. Uma secagem rápida é feita logo após a colheita. Depois as folhas vão para um tanque, para fermentar, mas o processo é interrompido no início. O sabor é suave. Este chá é o menos comum no mundo ocidental.

Aromatizados - Qualquer chá, independentemente do tratamento pelo qual tenha passado, pode receber a adição de outras folhas, frutas secas ou flores, cujo sabor se mistura com o seu.

As mil e uma virtudes do chá verde

As virtudes medicinais do chá são de conhecimento milenar, especialmente seu efeito estimulante. Mas hoje, a ciência está comprovando suas propriedades terapêuticas e cosméticas. E isso está acontecendo com o chá verde (também conhecido como banchá), considerado atualmente um aliado da saúde por ser rico em flavonóides - substâncias antioxidantes que ajudam a neutralizar os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento celular precoce. Também está comprovado que o chá verde ajuda a diminuir as taxas de colesterol e ativa o sistema imunológico. As virtudes do chá verde na prevenção do câncer, já muito divulgadas atualmente, vêm do fato de que ele é rico em bioflavonóides e catequinas, substâncias que bloqueiam as alterações celulares que dão origem aos tumores.

Além de conter manganês, potássio, ácido fólico e as vitaminas C, K, B1 e B2, ajuda a prevenir doenças cardíacas e circulatórias por conter boa dose de tanino: o consumo diário desse chá diminui as taxas do LDL (colesterol que faz mal à saúde) e fortalece as artérias e veias.

Mas as boas notícias não acabam aí: está comprovado que o chá verde acelera o metabolismo e ajuda a queimar gordura corporal. Um dos estudos foi realizado na Suíça com três grupos de pessoas que seguiram a mesma dieta. O resultado: o grupo que recebeu chá verde teve aumento de 4% na velocidade de combustão das calorias no organismo e de 5% na queima de calorias em relação aos outros dois grupos pesquisados. Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, demonstrou que extrato de chá verde - que possui altas concentrações de antioxidantes como catequina, polifenóis e muitos outros compostos incluindo cafeína - pode aumentar a utilização de energia muito acima dos efeitos da cafeína pura.

Pesquisadores acreditam, ainda,que o hábito de beber chá em vez de café é um dos fatores responsáveis pelo menor índice de infarto em países do Oriente. E como se não bastasse, comprovou-se também que as substâncias presentes no chá verde ajudam a prevenir cáries, têm ação antiinflamatória e antigripal, ativam o sistema imunológico e regeneram a pele. Os princípios curativos e regeneradores da Camellia sinensis enriquecem os cosméticos que prometem recuperar o viço da pele e dos cabelos. Tanto que as indústrias de cosméticos incluem os extratos das folhas em fórmulas de produtos como cremes e loções. Substâncias presentes na Camellia sinensis também dissolvem gorduras e são eficazes no tratamento de celulite e gordura localizada.

E para e pele mais um benefício: por ser rica em tanino, substância com propriedades anti-séptica e adstringente, a planta é indicada também para limpar e equilibrar peles oleosas. Na edição de 3 de março de 2004, a Revista Veja publicou uma matéria anunciando a mais recente novidade que aumenta a lista de benefícios do chá verde. Ainda na área da dermatologia, a novidade é que o chá verde pode proteger contra os efeitos nocivos do sol. Segundo a revista, "o assunto foi um dos mais comentados do último congresso da Academia Americana de Dermatologia, por causa de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Nova Jersey". Eles descobriram que o chá, transformado em creme, melhora o sistema de defesa das células da pele contra os raios ultravioleta do tipo B, aqueles responsáveis pelo vermelho-pimentão. Ao reduzir a inflamação causada por essa radiação, o chá verde aumentaria a proteção contra o câncer de pele. A descoberta pode ser o ponto de partida para a produção de uma nova família de loções.

A planta, como ela é...

Planta perene, do tipo arbustiva, a Camellia sinensis pertecente a família das Teáceas (Theacea). Originária do sudeste asiático, a planta produz economicamente por mais de 50 anos. No Brasil o arbusto é cultivado principalmente na região do Vale do Ribeira, no Estado de São Paulo, onde é utilizado para fazer chá preto.

A propagação da planta se dá preferencialmente pela via vegetativa, ou seja, por meio de estacas. A estaca para reprodução deve possuir uma folha desenvolvida e sua respectiva gema auxiliar com 3 a 4 cm. A extremidade do ramo deve ser cortada em bisel, isto é, na diagonal.

As folhas mais jovens e os gomos da Camellia sinensis - parte da planta utilizada na produção do chá comercial - são cobertos por uma fina cobertura branca e sedosa, semelhante a uma penugem que, mais tarde, desaparece. Ao que se sabe, é esta cobertura que dá origem ao nome pelo qual é conhecido o gomo terminal: "pekoe", da palavra chinesa pak-ho, que significa cabelo ou penugem.

As flores da planta são pequenas, brancas, geralmente com 4 ou 5 pétalas, aromáticas e aparecem nas axilas das folhas em grupos de 2, 3 ou 4. O fruto é uma cápsula com 2 ou 3 cm de diâmetro. Dada a grande dispersão que a planta sofreu desde o início do seu cultivo até aos nossos dias e a livre hibridação entre os vários tipos geográficos, não tem sido fácil para os botânicos a descrição das variedades existentes.

E para quem pretende saborear esta bebida que já esta sendo considerada medicinal, vale lembrar: até a simplicidade do chá não dispensa alguns pequenos cuidados especiais. Recomenda-se guardá-lo bem acondicionado em local fresco e seco e, na hora do preparo, passar água fervente no bule e nas xícaras Para o chá verde, especialistas aconselham que a água esteja um pouco abaixo da fervura e, de preferência, nada de acrescentar açúcar. Preparar a bebida é simples: faça uma infusão com uma colher de sopa rasa da erva para cada xícara de água "quase" fervente.


Por: Rose Aielo Blanco
Rose Aielo Blanco é jornalista e editora do www.jardimdeflores.com.br

quarta-feira, 10 de março de 2010

MEDITAÇÃO

O poder da Meditação - Revista Isto É

Ela chegou ao Ocidente como mais um item da lista de atrações exóticas do Oriente. Hoje, está se transformando em um dos mais respeitados recursos terapêuticos usados pela medicina que conhecemos. Está se falando aqui da meditação, uma prática milenar cujo principal objetivo é limpar a mente dos milhares de pensamentos desnecessários que por ela passam a cada minuto, ajudando o indivíduo a se concentrar no momento presente. É por essa razão que um de seus benefícios é o de ajudar as pessoas a lidar com sentimentos como a ansiedade. Mas o que se tem visto, de acordo com as numerosas pesquisas científicas a respeito da técnica, é que a meditação se firma cada vez mais como uma espécie de remédio – acessível e sem efeitos colaterais – indicado para um leque já amplo de enfermidades: da depressão ao controle da dor, da artrite reumatoide aos efeitos colaterais do câncer.

A inclusão da prática no rol de tratamentos da medicina ocidental é um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela figura entre as opções de centros renomados como o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, um dos centros de referência do planeta no tratamento da doença. Também está disponível na Clínica Mayo, outro respeitado serviço de saúde. No Brasil, o método começa a ganhar espaço, boa parte dele assegurado pela Política de Práticas Integrativas e Complementares do SUS, implementada em 2006 pelo Ministério da Saúde. Ela incentiva o uso, pela rede pública, de uma série de práticas não convencionais – como a medicina tradicional chinesa, a acupuntura e a fitoterapia – para auxiliar no processo de cura. “Nessas diretrizes, a meditação está prevista como parte integrante da medicina chinesa”, explica a médica sanitarista Carmem De Simoni, coordenadora do programa.

FELICIDADE


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A atriz Cláudia Ohana, 46 anos, aderiu ao método há dez anos. Foi uma das formas que escolheu para diminuir a ansiedade, que lhe provoca irritação e dor de estômago. “Depois de uma semana de prática, fico mais tranquila e paciente.” Para ela, a técnica diminui o stress causado pelo excesso de trabalho e pela vida na cidade grande. “É praticamente uma pílula de felicidade”, afirma

Em Campinas, no interior de São Paulo, 20 postos de saúde oferecem treinamentos de meditação gratuitos à população. Em São Carlos, também no interior paulista, alguns postos públicos de atendimento começarão a ofertar este ano sessões usando uma técnica conhecida como atenção plena (Mindfulness-Based Stress Reduction, ou MBSR, em inglês), desenvolvida pelo Centro Médico da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. É baseada em exercícios de respiração e consciência corporal que ajudam o indivíduo a focar as percepções no momento presente. “Queremos incluir a prática em 30 unidades de saúde”, diz Marcelo Demarzo, chefe do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

“Meditadores têm habilidade singular para cultivar emoções positivas”


Eileen Luders, pesquisadora da Universidade da Califórnia

Outra experiência interessante no Brasil é o uso do método em escolas da rede estadual do ensino médio do Rio de Janeiro. Trata-se de uma iniciativa da Fundação David Lynch, criada pelo cineasta americano, com o objetivo de reduzir a violência nos colégios por meio da prática. Um projeto piloto com cerca de 750 crianças e adolescentes de 10 a 18 anos mostrou que ela contribui para o aumento da concentração e da criatividade. “Muitas relataram ainda benefícios como redução de crises de dor de cabeça”, diz Joan Roura, representante da entidade no Brasil.

O Hospital Albert Einstein, em São Paulo, decidiu oferecer a prática tanto para pacientes quanto para funcionários, depois de testá-la por dois anos no setor de oncologia. “Nos pacientes em tratamento contra o câncer, notamos uma diminuição na ansiedade e maior disposição para enfrentar a doença”, afirma o médico Paulo de Tarso Lima. Ele é responsável pelo serviço de medicina integrativa no hospital, que promove a adoção de terapias complementares – entre elas, a meditação – para auxiliar no tratamento convencional.

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O movimento que se observa atualmente com a meditação é o mesmo experimentado pela acupuntura cerca de dez anos atrás. Da mesma forma que o método das agulhas, ela conquista o respeito da medicina tradicional porque tem passado nas provas de eficácia realizadas de acordo com a ciência ocidental. Isso quer dizer que, aos olhos dos pesquisadores, foi despida de qualquer caráter esotérico, mostrando-se, ao contrário, um recurso possível a todos – ninguém precisa ser guru indiano para praticá-lo – e de fato capaz de promover no organismo mudanças fisiológicas importantes.

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PREVENÇÃO


Em São Paulo, idosos usam o método como auxílio contra a hipertensão

A profusão de pesquisas que apontam algumas dessas alterações é grande. Os resultados mais impressionantes vêm dos estudos que se propõem a investigar seus efeitos no cérebro. Um exemplo é o trabalho realizado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica “NeuroImage”. Após compararem o cérebro de 22 meditadores com o de 22 pessoas que nunca meditaram, eles descobriram que os praticantes possuem algumas estruturas cerebrais maiores do que as dos não praticantes. Especificamente, hipocampo, tálamo e córtex orbitofrontal. As duas primeiras estão envolvidas no processamento das emoções. E a terceira região, no raciocínio. “Sabemos que as pessoas que meditam têm uma habilidade singular para cultivar emoções positivas”, disse à ISTOÉ Eileen Luders, do Laboratório de Neuroimagem da universidade. “As diferenças observadas na anatomia cerebral desses indivíduos nos deram uma pista da razão desse fenômeno.”

ALÍVIO CONTRA O CÂNCER A prática faz com que os pacientes


sintam menos náuseas após a quimioterapia

Na publicação “Psychological Science”, há outro trabalho interessante. Pesquisadores da Universidade George Mason constataram que a prática proporciona uma melhora significativa na memória visual. Normalmente, uma imagem é armazenada integralmente no cérebro por pouquíssimo tempo. Mas o estudo verificou que monges, habituados a meditar todos os dias, conseguem guardá-las – com riqueza de detalhes – até 30 minutos depois de praticar. “Isso significa que a meditação melhora muito este tipo de memória, mesmo após um certo período”, disse à ISTOÉ Maria Kozhenikov, autora do experimento. Essa habilidade transforma a técnica em um potencial instrumento para complementar o tratamento de doenças que prejudiquem a memória, como o mal de Alzheimer.

A técnica ganha espaço em instituições renomadas e prova ser eficaz contra um leque cada vez maior de doenças. Entre elas, a depressão, males cardíacos e até Aids

Cilene Pereira e Maíra Magro

No Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, aqui no Brasil, pela técnica de ressonância magnética foram fotografados os cérebros de 100 voluntários, antes e depois de um retiro de uma semana para práticas diárias. “Na análise de uma primeira amostra, observamos que as áreas ligadas à atenção, como o córtex pré-frontal e o cíngulo anterior, ficaram mais ativadas após o treinamento”, afirma a bióloga Elisa Kozasa, responsável pela pesquisa. As regiões cerebrais eram observadas enquanto os voluntários realizavam testes para medir o quanto estavam atentos. “Houve uma tendência de maior número de acertos e mais velocidade nas respostas após a meditação”, explica a pesquisadora Elisa.

CONTROLE EM CENA
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O ator paulista Maurício Souza Lima, 43 anos, sofreu episódios frequentes de síndrome do pânico por mais de cinco anos. Chegou a tomar antidepressivos e tranquilizantes, mas não conseguia se livrar do distúrbio. Depois que a taquicardia e os tremores o atingiram em pleno palco, durante uma apresentação, há dez meses, ele buscou apoio na meditação transcendental. “Nunca mais tive uma crise”

Na área da oncologia, há várias evidências científicas de eficácia. Tome-se como exemplo o estudo feito na Universidade de Brasília pelo psiquiatra Juarez Iório Castellar. Ele investiga os efeitos do método em 80 pacientes com histórico de câncer de mama. Castellar pediu às participantes que preenchessem questionários para medir a qualidade de vida. Por meio da coleta de amostras de sangue e saliva antes e depois dos exercícios meditativos, ele também está acompanhando variações hormonais que indicam a situação da doença. “Um dos dados que já verificamos é que a meditação reduziu os efeitos colaterais da quimioterapia, como náuseas, vômitos, insônia e inapetência”, afirma.

Outra frente de pesquisas tenta decifrar seu impacto nas doenças mentais. Novamente, as conclusões são bem animadoras. Na Universidade de Exeter, na Inglaterra, o pesquisador Willem Kuyken verificou que o método é uma opção concreta para auxiliar no controle da depressão a longo prazo. Depois de 15 meses comparando a evolução de pacientes que meditavam e tomavam remédios com a apresentada por aqueles que apenas usavam os antidepressivos, o cientista constatou que crises mais sérias ocorreram em 47% dos meditadores, enquanto entre os outros o índice foi de 60%. Na Universidade George Washington, nos Estados Unidos, a técnica provou-se uma aliada no tratamento de crianças com transtorno de hiperatividade e déficit de atenção. “Houve redução de 50% dos sintomas após três meses de prática”, disse à ISTOÉ Sarina Grosswald, coordenadora da pesquisa. Há ainda evidências de benefícios na luta contra transtornos alimentares como bulimia e dependência de drogas. “A meditação relaxa os dependentes e os torna mais fortes para resistir à vontade de consumir drogas”, explicou à ISTOÉ Elias Dakwar, do Instituto de Psiquiatria do Columbia-Presbyterian Medical Center, em Nova York, instituição que passou a usar o método recentemente.

DESCANSO GARANTIDO
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Há apenas três meses, o médico cearense Lúcio Guimarães Xavier, 37 anos, começou a meditar duas vezes ao dia, durante 20 minutos. Ele já nota uma melhora na sensação de bem-estar, na capacidade de concentração e na qualidade do sono. “Costumava ter insônia e hoje durmo muito bem.” Ele também se surpreendeu com o desaparecimento de um tremor nas mãos, que tinha desde criança

O segredo que possibilita efeitos dessa magnitude nestes tipos de patologias é o fato de a meditação ensinar o indivíduo a viver o presente, sem antecipar medos e sofrimentos. “E como o ato de pensar é ‘desligado’, a mente transcende seu estado ocupado e experimenta um profundo silêncio”, explica Sarina Grosswald. “O corpo, por sua vez, fica totalmente relaxado.” É este o mecanismo que também explica parte do seu poder contra a dor. “O método ajuda os pacientes a perceberem a dor e a deixá-la ir embora, sem se prender a ela”, disse à ISTOÉ Paula Goolkasian, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ela faz parte de uma equipe que estuda intensamente a relação entre dor e meditação e é autora de alguns artigos científicos a respeito do tema.

Permeando todos esses processos, porém, está a redução do stress proporcionada pelo método – e os benefícios advindos disso. O controle da tensão implica mudanças importantes na química cerebral, entre elas a diminuição da produção do cortisol. Liberado em situações de stress, o hormônio tem consequências danosas. Uma delas é a elevação da pressão arterial. Portanto, quanto menor sua concentração, mais baixas são as chances de hipertensão. E como a meditação diminui o stress, acaba reduzindo, indiretamente, a pressão. Este mecanismo explica por que a técnica contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral, causadas, entre outras coisas, por uma pressão arterial acima dos níveis recomendados. Um estudo recente realizado na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, deu uma ideia desse potencial. Durante nove anos, os cientistas acompanharam 201 homens e mulheres com média de 59 anos de idade. Parte foi orientada a meditar todos os dias e o restante recebeu recomendação para mudar hábitos. Os meditadores tiveram 47% menos chance de morrer de um problema cardiovascular em comparação com os outros. Com base nesse resultado, o coordenador da pesquisa, Robert Schneider, considera que a descoberta equivale ao encontro de uma nova classe de “remédios” para evitar essas enfermidades. “Nesse caso, a medicação é derivada dos próprios mecanismos de cura do corpo e de sua farmácia interna”, disse à ISTOÉ.

FORÇA EXTRA Dependentes químicos que meditam ficam
mais fortes para resistir ao apelo das drogas

A ciência registrou ainda mais um impacto positivo da redução do stress promovida pelo método: o auxílio contra a Aids.A doença caracteriza-se pelo ataque do vírus HIV aos linfócitos CD-4 (células que integram o sistema de defesa do corpo). Por causa disso, o corpo fica mais vulnerável a infecções, podendo sucumbir a elas. Mas é sabido que outro inimigo dos exércitos de defesa é o stress: o hormônio cortisol enfraquece seu funcionamento. Por isso, diminuir a tensão é uma maneira de evitar que isso aconteça. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, os cientistas testaram a força da meditação para controlar o stress em pacientes com Aids e constataram que, também aqui, ela funciona. Eles selecionaram 48 pessoas soropositivas, divididas em dois grupos: um meditou e o outro, não. Após oito semanas, os que a praticaram não apresentavam perda de CD-4, ao contrário dos outros participantes. Isso revela que a meditação reduziu o stress. Dessa maneira, contribuiu para preservar o sistema imunológico dos pacientes, ajudando a retardar o avanço do HIV.

Uma das mais intrigantes abordagens de pesquisa é a que estuda a relação entre o método e o envelhecimento precoce. Os pesquisadores começaram a fazer essa associação a partir da certeza do vínculo entre o stress – ele de novo – e a ocorrência de uma deterioração celular acentua­da. Partindo desse raciocínio, eles querem saber se a meditação também teria efeito indireto nesse mecanismo, já que atua sobre o stress. Cientistas da Universidade da Califórnia estão investigando se a redução do stress causada pela meditação poderia provocar um efeito benéfico sobre os telômeros – espécie de capa protetora das extremidades dos cromossomos cujo comprimento está associado ao grau de envelhecimento celular. Quanto mais comprido, menor o índice de desgaste. E um dos fatores de desgaste dos telômeros é o stress. Portanto, quanto menos stress, mais preservadas essas estruturas.

SEM EFEITO COLATERAL
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Diagnosticada com um câncer no intestino em 2005, a bióloga pernambucana Marta Gomes Rodrigues, 59 anos, teve de se submeter a diversas sessões de quimioterapia. Com a reincidência da doença pela quarta vez, ela decidiu aliar ao tratamento a prática da meditação. “Os efeitos colaterais dos medicamentos diminuíram e as náuseas acabaram”, diz

No Brasil, o interesse por esse tema, especificamente, também cresce. O médico José Antônio Esper Curiati, do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, por exemplo, coordena grupos de meditação para idosos “Estou medindo os efeitos da prática em aspectos como memória, humor e qualidade do sono”, diz. No Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo, o médico Fernando Bignardi é outro que acompanha os reflexos em indivíduos na terceira idade. “O que notamos de mais imediato é uma mudança na condição emocional”, relata. “Depois há uma melhora no sono, nas condições metabólicas e, finalmente, alterações clínicas que levam à melhora de doenças como hipertensão e diabetes.”

A experiência bem-sucedida incentivou Bignardi a desenvolver uma pesquisa mais ampla. A instituição acompanha a saúde de 1,5 mil idosos para verificar a relação entre estilo de vida, personalidade, cognição e doenças. A intenção agora é analisar como a prática meditativa interfere nessa equação – inclusive na incidência de doenças neurodegenerativas como o mal de Alzheimer. A médica Edith Horibe, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, já indica a meditação para seus pacientes. “Sem dúvida, ela permite uma vida mais longa e com saúde”, afirma. “E a técnica não exige mudanças no estilo de vida”, completa Kleber Tani, diretor da seção carioca da Sociedade Internacional de Meditação.

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FONTE: http://www.istoe.com.br/reportagens/51821_O%20PODER%20DA%20MEDITACAO%20PARTE%201?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage&sms_ss=email



Meditação como caminho, a base da lucidez (LAMA PADMA SAMTEN)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Programação do Lama Padma Samten em João Pessoa

AULAS DE TAI CHI CHUAN

Olá Pessoal,
Venho convidar todos e todas para experimentar o Tai Chi Chuan em João Pessoa - PB.
O Tai Chi Chuan é uma Arte Marcial interna chinesa que é conhecida pelos seus benefícios para saúde e longevidade. Também conhecida como uma meditação em movimento de estilo suave, aplicada como relaxamento mais completo possível do corpo.
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Professor João Demétrio, graduado pela Associação Mei Hua de Kung Fu e prática Orientais. Filiada à Academia Sino-Brasileira de Kung Fu do Grão Mestre Chan Kowk Wai.
E-mail: joaodap@msn.com Tel: 8844 1962 (Muitas vezes estou ocupado, por isso deem preferencia a comunicação por e-mail ou mensagens) 

LOCAL: Parque Arruda Câmara (BICA).
HORÁRIOS: Segundas e Quartas às 8:30.
AULAS GRATUITAS!

LOCAL: Academia de AIKIDO (Tambaú).
HORÁRIOS: Segunda às 6:00.
VALOR: 40,00 R$.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fitoterapia Chinesa Segunda Parte

Este artigo dá prosseguimento à Primeira Parte, onde foi exposto um breve histórico do desenvolvimento das idéias por trás do modo de operação da Fitoterapia Chinesa. Aqui descreveremos os princípios gerais de classificação e uso das drogas fitoterápicas. Estes princípios gerais referem-se à conceitos próprios da Medicina Tradicional Chinesa, como “padrão de desequilíbrio energético”, “qi“, e classificações peculiares dos loci das doenças, entre outros – por isto recomendamos alguma familiaridade prévia com estes conceitos.

Propriedades dos medicamentos

Quatro propriedades e cinco sabores
As drogas podem ser classificadas segundo sua propriedades térmicas, ou seja: quentes, mornas, frias e geladas, e ainda pode-se falar numa quinta propriedade, a neutra. No entanto, como drogas de natureza neutra tendem a ser levemente mornas ou frias, usa-se geralmente o termo “quatro propriedades”. Drogas frias e geladas diferem na sua propriedade térmica apenas em grau, e na maioria têm os efeitos de dispersar o calor, eliminar o fogo, remover substância tóxicas, e nutrir o yin, e são usadas para curar síndromes de calor (yang). Em contrapartida, drogas de natureza morna ou quente normalmente têm os efeitos de dispersar o frio, aquecer o interior, fortalecer o yang, e tratar colapsos, e são por isto usadas para tratar síndromes de frio (yin). Drogas de natureza neutra podem ser usadas para síndromes yin ou yang.
O termo “sabor” refere-se não necessariamente à sensação no paladar causada por uma substância, nesse contexto, mas sim à uma propriedade da substância que é determinada de acordo com seus efeitos no organismo (em termos fisiológicos). Assim, os sabores de muitas drogas descritos nos textos de materia medica são muitas vezes diferentes do gosto real das drogas. Há sete sabores: picante, doce, amargo, azedo, salgado, ausente e adstringente. Como normalmente os sabores doce e ausente coexistem, e azedo e adstringente têm os mesmos efeitos, usa-se habitualmente a expressão “cinco sabores”.
Picante: as drogas picantes têm efeitos de dispersar o agente patogênico exógeno do “exterior” do corpo e de promover a circulação do qi e do sangue. São normalmente usadas para tratar condições leves e do exterior devido à agentes patogênicos exógenos, estagnação de qi e/ou de sangue.
Doce: têm os efeitos de nutrir, repor, tonificar ou enriquecer diferentes partes ou órgãos do corpo, normalizando a função do estômago e do baço, harmonizando os efeitos de drogas diferentes, e aliviando o espasmo e a dor. São normalmente eficientes para tratar síndromes de deficiência, tosse seca, constipação devido à secura dos intestinos, desarmonia entre o baço e o estômago, e vários tipos de dor. Além disso, também são desintoxicantes.
Azedo: têm os efeitos de induzir a adstringência e parar as perdas (de substâncias do corpo). São freqüentemente usadas para tratar suor devido à debilidade, tosse crônica, diarréia crônica, emissão seminal, espermatorréa, enurese, micção freqüente, leucorragia crônica, metrorragia ou metrotaxia.
Amargo: as drogas de sabor dito amargo têm os efeitos de dispersar o calor, eliminar o fogo, dominar a rebelião do qi ascendente enviando-o para baixo (para tratar tosse e vômitos), relaxar as vísceras, e eliminar a umidade. Tais drogas são usadas para síndromes de fogo, tosse com dispnéia, vômitos, constipação devido à calor-cheio, síndromes de calor-umidade, de frio-umidade e outras.
Salgado: têm efeitos de aliviar constipação por purgação, e dissolver e amaciar massas duras. São usadas para tratar fezes secas e constipação, escrófula, gota, massas abdominais e outros problemas.
Ausente: têm efeitos de expelir umidade e induzir a diurese, e são usadas normalmente para edema e disuria.
Adstringente: tem ações similares às drogas de sabor azedo.
Duas substâncias podem ter o mesmo sabor e propriedades térmicas diferentes, ou vice-versa. Menta e ephedra, por exemplo, têm ambas o sabor picante, mas a menta tem propriedade fria e a ephedra quente. Assim, a menta pode ser usada para tratar invasão por vento-calor e a ephedra invasão por vento-frio. Isto ilustra como pode-se escolher uma substância com base no seu sabor e na sua propriedade térmica.

A ação da droga (movimento)
As drogas também podem ser classificadas por sua ações no corpo em termos do movimento que causam. “Subir” significa exatamente subir e mandar para cima, “descer” significar precisamente o oposto, “flutuar” significa ir para fora ou mandar para a superfície, “afundar” significa interiorizar ou purgar. As doenças podem localizar-se no corpo em partes diferentes (acima, abaixo, interior ou exterior), e podem ter tendências diferentes de movimento: para cima (por exemplo, vômitos), para baixo (por exemplo, diarréia), para fora (suor noturno) ou para dentro (interiorização de um fator patogênico). Desta forma, deve-se escolher as drogas em acordo com a localização da doença no corpo, mas em oposição à sua tendência de movimento.
Drogas que flutuam ou sobem têm ações “para cima” e “para fora”, e são usadas para elevar o yang, aliviar síndromes do exterior por diaforese, dispersar vento ou frio da superfície, induzir ao vômito, restaurar a consciência do paciente, etc. Drogas que descem ou afundam têm ações “para baixo” e “para dentro”, e são usadas para dispersar o calor, causar purgação, promover a micção, remover umidade, parar a subida do yang, mandar para baixo o qi rebelde a fim de parar o vômito, aliviar tosse e asma, melhorar a digestão para resolver a retenção de alimento, e tranqüilizar a mente.
As ações em termos de movimento das drogas são proximamente relacionadas com as suas propriedades e sabores. Drogas picantes e doces ou drogas quentes e mornas normalmente têm a característica de flutuar e subir, enquanto drogas amargas, azedas e salgadas têm usualmente a característica de afundar e descer. Muitas vezes o movimento de uma droga está em acordo com a sua densidade aparente ? substâncias leves tendem a flutuar e subir, substâncias pesadas tendem a afundar e descer ? mas há exceções a esta regra. E ainda, a forma de processar a substância e a presença de outras drogas numa prescrição pode facilmente influenciar seu movimento.

Afinidade com um canal
Uma sustância pode exercer efeitos óbvios ou uma ação terapêutica específica em alterações de um certo canal (incluindo o órgão ou víscera relacionado), mas com poucos ou nenhum efeito em outros canais. A afinidade de uma substância por um canal é determinada empiricamente, ou seja, de acordo com sua eficácia em tratar desequilíbrios particulares.

Toxicidade da droga
Nos textos de materia medica chinesa pode-se observar que algumas drogas têm a classificação de “levemente tóxicas”, “tóxicas”, “extremamente tóxicas” ou “mortalmente tóxicas”. Isto indica que mesmo dentro da dosagem terapêutica estas drogas têm o grau de toxicidade indicado pela sua classificação, e obviamente deve-se escolher uma substância alternativa. Somente em casos onde for a única alternartiva de tratamento pode-se escolher uma droga dentre estas, e aplicá-la com extrema cautela.

Aplicação das drogas

Compatibilidade
Uma droga pode ser usada sozinha numa prescrição, mas pode ser combinada com uma ou mais drogas. Nos casos onde duas drogas são combinadas, pode-se observar seis efeitos advindos da combinação: reforço mútuo, quando drogas de características similares são usadas em coordenação para aumentar os seus efeitos; assistência mútua, quando uma droga com algumas características parecidas com a de outra é usada como subsidiária, a fim de fortalecer o efeito da principal; restrição mútua, quando a combinação é usada para reduzir ou eliminar a toxicidade ou efeitos colaterais das drogas; detoxicização mútua, quando uma droga é usada para reduzir a toxicidade da outra; inibição mútua, quando o uso conjunto causa a diminuição ou perda do efeito terapêutico; e incompatibilidade, quando o uso conjunto faz com que a combinação se torne tóxica ou tenha efeitos colaterais.
Quando combinando duas ou mais drogas, estas devem ser escolhidas tendo em mente suas interações, e os efeitos de inibição mútua e de incompatibilidade devem ser evitados.

Contra-indicações
Além de restrições alimentares que podem ser aplicáveis tanto à doença em si quanto às drogas usadas para combatê-la, são importantes dois grupos de contra-indicações tradicionais: “Dezoito Medicamentos Incompatíveis” e os “Dezenove Medicamentos em Antagonismo Mútuo”. Além disso, algumas drogas podem danificar o qi original do feto e levar ao aborto, e são proibidas durante a gravidez.

A formação de uma prescrição
Uma prescrição é muito mais que uma simples coleção de drogas. Entende-se por “formar uma prescrição” escolher as drogas de acordo com as suas funções dentro da prescrição, baseado nas suas propriedades, sabores, movimentos, afinidade com os canais, e respeitando a sua compatibilidade e contra-indicações.
Numa prescrição, as drogas adquirem os seguintes papéis, que devem ser claramente distingüidos por quem prescreve:
Droga principal: a droga principal é a que está destinada a produzir os efeitos que tratarão a raiz ou a manifestação principal de uma síndrome ou doença.
Droga assistente: pode ter dois significados, o da droga que é usada para reforçar o efeito da droga principal, ou o da droga que é usada para produzir os efeitos terapêuticos principais no tratamento dos sintomas que acompanham uma síndrome.
Droga coadjunvante: pode-se dividir a droga coajuvante em três tipos. O primeiro reforça os efeitos das drogas principal e assistente ou trata sintomas menos importantes, por si só. O segundo tipo reduz ou elimina a toxicidade das drogas principal e assistente de modo a impedir o aparecimento de efeitos tóxicos ou colaterais. Finalmente o terceiro tipo é usado para lidar com a possibilidade de vômitos após ingerir uma decocção de efeito muito forte, ela deve possuir os efeitos contrários aos da droga principal em termos de compatibilidade mas deve ter efeitos terapêutico suplementares à esta.
Droga-guia: há dois tipos de droga-guia, um para levar as outras drogas ao local onde está instalado o desequilíbrio; e o outro para coordenar os efeitos das diversas drogas dentro de uma prescrição.


FONTE: acupuntura.pro.br

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Mistério do Chi

Encontrei essa série no Youtube e não poderia deixar de colocar aqui. Ela dá uma boa noção básica de como funciona a Medicina Tradicional Chinesa. Espero que aproveitem.



















terça-feira, 10 de novembro de 2009

Fitoterapia Chinesa (Parte I)

O campo da Fitoterapia Chinesa – o uso de drogas não quimicamente processadas com finalidade terapêutica, segundo os princípios da Medicina Tradicional Chinesa – é frequentemente mal compreendido no Brasil devido à escassez de material bibliográfico que trate o assunto com a profundidade necessária. Não é raro depararmo-nos com erros básicos devido à uma interpretação superficial de regras gerais que não são sempre aplicáveis. Um exemplo comum é a tentativa de aplicar diretamente a correspondência das Cinco Fases (ou Cinco Elementos) da cosmologia chinesa com os chamados “cinco sabores”, sem levar em consideração as outras propriedades dos compostos. Além disso, uma prescrição fitoterápica na maioria das vezes engloba 6 ou mais componentes, sendo um ou dois deles os agentes principais contra a causa do mal mas tendo os restantes papéis não menos essenciais, como de impedir um efeito colateral indesejado ou “encaminhar” o agente principal ao locus da doença.
Qualquer alimento pode ser classificado conforme as propriedades aqui descritas, e esta classificação forma a base da Dietética energética Chinesa. O leitor concluirá logo que recomendações do tipo “este alimento é bom para tal órgão” são vazias de significado, do ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa, pois “é bom” não leva em consideração nenhuma análise das propriedades de um alimento em relação aos vários padrões de desequilíbrio que podem manisfestar-se ligados à um órgão do corpo.
Com o objetivo de oferecer um panorama introdutório, porém preciso a ponto de mostrar a complexidade do tema, oferecemos este artigo que trata da história do pensamento por trás do modo de operação da Fitoterapia Chinesa. Ele será seguido de um segundo artigo tratando dos princípios gerais envolvidos na escolha dos fitoterápicos. Não serão oferecidas sugestões ou nomes de fitoterápicos para evitar o seu uso indevido.
O aparecimento da Fitoterapia na China

Shang
O Império Shang, primeira dinastia chinesa a deixar traços de procedimentos terapêuticos, floresceu aproximadamente entre o 18º e o 16º séculos a.C. A história dos Shang foi documentada durante o período Chou. O conceito predominante a respeito das causas do adoecimento, na dinastia Shang, era o de atos perniciosos praticados por terceiros ou por ancestrais mortos. O procedimento terapêutico era concentrado em aplacar ou expulsar o espírito suspeito de causar o mal, e foi chamdo de “exorcismo da causa”.
Preparações medicinais, como drogas feitas com plantas, aparentemente não tiveram lugar na medicina ancestral dos Shang: não estão presentes nos ossos oraculares inscrições que contenham nomes de drogas, e não foram encontrados caracteres que possam significar “medicamento”.

Chou
A data incerta de 1100 A.C. é geralmente aceita como o início da dinastia dos Chou. A visão prevalente no período Chou parece ter sido a de que o sistema bem ordenado de relações e comunicação entre as criaturas vivas e o mundo dos deuses e espíritos havia caído num estado de grande confusão e posteriormente rompido-se completamente. Apareceram, durante o período dos Estado Combatentes, os mitos que reconheciam nos demônios (gui) uma influência maléfica crescente sobre os humanos.
As práticas terapêuticas tornaram-se então essencialmente demonológicas – não bastava mais apenas aderir a um comportamento agradável aos ancestrais para garantir a saúde, era agora necessário que os espíritos guardiães do indivíduo fossem fortes o suficiente para protegê-los dos espíritos maléficos.
Neste contexto acreditava-se no poder de algumas substâncias, além de certos encantamentos, exorcismos e talismãs, de afastar ou expulsar os demônios causadores do adoecimento. Um compêndio preparado por Sun Si-miao, por exemplo, lista 32 drogas eficazes contra demônios.
O paradigma das correspondências

O paradigma das correspondências baseia-se na crença de que os fenômenos do mundo visível e do mundo invisível estão em dependência mútua através da sua associação com certas linhas de correspondência. Manipulações de um elemento numa determinada linha de correspondência podem influenciar elementos nessa mesma linha.

Correspondência mágica
As linhas de correspondência mágica são normalmente separadas umas das outras e não podem exercer influências mútuas. Uma das espécies de correspondência mágica é a correspondência homeopática, que repousa sobre o princípio de que os iguais se influenciam.
A literatura médica chinesa dos últimos dois mil anos, especialmente os trabalhos devotados à drogas medicinais, frequentemente contém medidas terapêuticas derivadas de mágica homeopática. Pode-se citar como exemplo Li Shi Zhen (1519-1593), autor do Bin Hu Mai Xue e do Qi Jing Ba Mai Kao, segundo maior autor sobre materia medica chinesa, que descrevia o uso de escovas de madeira carbonizadas como remédio a ser tomado para inchaço abdominal devido à ingestão de piolhos.

Correspondência sistemática
O florescimento e ascenção da ideologia de correspondência sistemática à posição de dominância conceitual dentro da filosofia natural chinesa, provavelmente a partir do fim da dinastia Chou, foi um dos períodos mais decisivos na hitória intelectual da China. Reconheceu-se que não apenas um número limitado de elementos forma uma linha de correspondência, mas que todos os elementos naturais e conceitos abstratos podem ser incorporados num sitema único de correspondências. As doutrinas do Yin-Yang e das Cinco Fases foram a base para que esse passo conceitual pudesse ser dado.
A característica significativa da filosofia chinesa nos 500 últimos anos antes de Cristo é a tentativa de explicar os fenômenos do mundo sensível como acontecimentos naturais, sem referir-se a forças misteriosas como deuses ou ancestrais.
Um texto de prescrições chamado Wu shi er ping fang, desenterrado do sítio arqueológico de Ma Wang Dui, dá ampla evidência de que técnicas complexas de farmacologia (utilizando substâncias naturais) estavam em uso por volta do século II a.C.
Taoísmo

O ponto comum entre as muito divergentes correntes do taoísmo é o conceito de Tao, o inominável, indescritível, inefável. O confucionismo também referia-se ao Tao, mas com um sentido mais de “maneira correta do homem coexistir em sociedade”. Se os confucionistas criam que um estudo do homem pode levar ao conhecimento dele próprio – a mais alta das criaturas – os taoístas sentiam que a observação da natureza é que fornece insights sobre o homem, que não é em nada melhor que o mais baixo dos vermes.
Mas os taoístas estavam mais preocupados com o conhecimento de como harmonizar-se com a natureza – o conceito de “não-ação” é um dos mais conhecidos da filosofia taoísta. Enquanto os confucionistas tinham como ideal o te (virtude, força moral), que resultava da obediência a um sistema detalhado de regras e ritos sociais; os taoístas rejeitavam explicitamente tais imposições, baseados na sua doutrina de que o te (potencial) resulta da adaptação, conformação, suavidade e passividade, que permitiam a manifestação do Tao.

Terapia pragmática com drogas
O primeiro capítulo do Nei jing Su wen refere-se ao conceito primeiro expresso por Chuang Tzu de “completar todo o seu período de vida, e não morrer prematuramente no meio do caminho”. A aversão de Chuang Tzu à métodos artificiais de prolongar a vida material teve pouca influência no desenvolvimento subsequente do taoísmo durante as dinastias Ch’in e Han. Os adeptos taoístas passaram a almejar a imortalidade física, ou ao menos a longevidade, e além de métodos de qigong (chi kung) passaram a pesquisar a suplementação do corpo com substâncias eficientes para alcançar este fim.
O confucionismo defendia a classificação de cada indivíduo membro da sociedade em um sistema rígido e normativo de estrutura social, e a visão confucionista do mundo ligava a preservação da saúde individual à adesão à normas de condutas motivadas sociopoliticamente. Em contraste, o taoísmo lutava pela libertação do indivíduo destas obrigações sociais. A terapia com drogas (derivadas de plantas ou de minerais), que prometia a cada pessoa boa saúde e a longevidade sem envelhecimento, independentemente da submissão à normas de conduta social, foi para os taoístas um campo de estudos muito mais atraente que para os seus rivais. Foi devido a estas diferenças filosóficas que tentativas de estender as teorias médicas de correspondência sistemática, que inicialmente não tinham nenhuma relação com a fitoterapia, somente foram feitas no século XI, quando taoísmo e confucionismo tiveram uma aproximação conceitual, embora num nível restrito.
A tradição farmacêutica do Shen nung pen cao jing e de trabalhos subsequentes revela, em comparação com a tradição médico-teórica do Huang di Nei jing diferenças características que demonstram que estes dois campos não podem ser simplesmente agrupados sob o rótulo de “taoístas”. Embora o Shen nung peng cao refira-se a uma categorização primitiva com respeito ao yin-yang, não há integração dos efeitos das drogas com a fisiologia do organismo como descrita através da correspondência sitemática. Com apenas uma exceção, nenhuma menção é feita à doutrina das Cinco Fases.
Sung-Chin-Yuan

Uma comparação entre as versões Tai su, a mais próxima do original Han, e a Su wen, a versão do Huang di nei jing totalmente revisada durante a dianastia Tang e então uma vez mais durante a Sung será útil para ilustrar o processo de integração da terapia com drogas ao conceito de correspondência sistemática. Pode-se observar que na primeira versão já se encontra uma ferramenta conceitual para regular a ingestão de alimentos segundo uma enfermidade, devido à presença de uma classificação dos alimentos segundo suas cores, sabores e efeitos no corpo, segundo a doutrina das Cinco Fases. Por outro lado, na segunda versão o fator dietético é muito menos significativo e o fator terapêutico é preponderante, e foram adicionadas as propriedades térmicas das substâncias e as suas ações (em termos de movimentos).
Assim, pelo menos a partir do século VII ou VIII, os pré-requisitos essenciais à criação de uma farmacologia de correspondência sistemática já estavam presentes no Huang di Nei jing. Tal empreendimento foi iniciado durante o período Sung-Chin-Yuan, e consistia em tentar analisar as qualidades de cada droga e ligá-las aos seus efeitos terapêuticos, integrando estes dois através da doutrina das Cinco Fases. O clássico Tang ye pen cao de Wang Hao-ku representa o ápice desse esforço monumental.

FONTE: http://acupuntura.pro.br